O Grupo Mateus, uma das maiores redes varejistas do Norte e Nordeste do país, demitiu mais de 6,6 mil funcionários entre dezembro de 2025 e março de 2026. Os dados foram divulgados no balanço financeiro do primeiro trimestre deste ano e repercutidos nacionalmente após confirmação do Diário do Nordeste. Segundo o relatório, o número de empregados da companhia caiu de 47,9 mil para 41,2 mil trabalhadores, representando uma redução de 13,9% no quadro funcional da empresa em apenas três meses. Os desligamentos atingiram operações nos estados do Pará, Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí e Sergipe.

No Pará, onde o Grupo Mateus possui forte presença comercial com 71 lojas espalhadas por municípios como Belém, Ananindeua, Castanhal, Marabá, Santarém e Altamira, a notícia provocou apreensão entre trabalhadores e representantes do setor supermercadista. A empresa não informou quantos funcionários foram desligados especificamente no estado, o que aumentou a preocupação sobre os impactos econômicos e sociais nas cidades onde a rede atua como importante geradora de empregos formais. Em Castanhal, considerada um dos principais polos comerciais do nordeste paraense, o cenário acendeu o alerta entre sindicatos e profissionais do varejo diante da possibilidade de retração no mercado de trabalho local.

Em nota enviada à imprensa, o Grupo Mateus afirmou que as demissões fazem parte de “ajustes operacionais” realizados em toda a rede e garantiu que a medida não compromete os planos de expansão da companhia. Durante teleconferência com investidores, o presidente do conselho de administração da empresa, Ilson Mateus Rodrigues, declarou que o grupo busca alcançar um “ponto ótimo” entre controle de despesas, eficiência operacional e rentabilidade. O movimento ocorre em meio ao aumento expressivo das despesas operacionais da varejista, que somaram R$ 1,6 bilhão no primeiro trimestre de 2026 — alta de 29,3% em relação ao mesmo período do ano passado.