A história da formação de Castanhal guarda relatos marcantes de resistência, solidariedade e sobrevivência. Em seu livro Castanhal, Memórias em Pedaços, o professor e jornalista Antônio Prado reúne memórias que revelam como famílias nordestinas participaram da ocupação e do crescimento do município a partir do início do século XX.

Entre os relatos mais emocionantes registrados na obra está o depoimento de seu Irapuan, nascido em 1905, que descreveu as dificuldades enfrentadas por migrantes que chegaram a Castanhal por volta de 1918. Segundo a narrativa, muitos desembarcavam na antiga estação ferroviária sem recursos, alimento ou qualquer estrutura de acolhimento. Em situação extrema de vulnerabilidade, diversas famílias buscavam abrigo improvisado e dependiam da ajuda de moradores para sobreviver nos primeiros dias na cidade.

De acordo com o livro, um cenário marcante daquele período era o de pessoas reunidas sob mangueiras, aguardando a queda das frutas para amenizar a fome. Entre os gestos de solidariedade lembrados pela população está o do comerciante Maximino Porpino, conhecido como pai do Mimo, que distribuía sacas de farinha aos recém-chegados. Para muitos daqueles migrantes, a mistura simples de manga com farinha representou a única refeição disponível durante os momentos mais difíceis.

O registro preservado por Antônio Prado ajuda a reconstruir parte da memória coletiva de Castanhal e evidencia o papel decisivo dos nordestinos na construção social, econômica e cultural do município. Histórias como essa ajudam as novas gerações a compreender os desafios enfrentados pelos primeiros moradores e reforçam a importância de manter viva a memória daqueles que contribuíram para o desenvolvimento da cidade.